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O que já existe dentro de você


 

O que já existe dentro de você

E se você não precisasse se tornar outra pessoa?

E se cada homem, cada mulher e cada criança que você encontra carregasse dentro de si as sementes para se tornar quem realmente é?

E se isso também incluísse você?

Talvez essa pergunta pareça simples.

Mas ela pode mudar a maneira como olhamos para nós mesmos.

Muitas vezes, vivemos como se fôssemos projetos inacabados. Há sempre alguma coisa para corrigir, melhorar, consertar ou alcançar.

Precisamos ser mais confiantes.

Mais saudáveis.

Mais produtivos.

Mais ricos.

Mais disciplinados.

Mais interessantes.

Mais amados.

E, sem perceber, começamos a acreditar que a pessoa que somos agora é apenas uma versão provisória de alguém que finalmente será digno quando chegar ao lugar certo.

Percebi...

Percebi como facilmente confundimos crescimento com rejeição de nós mesmos.

Como se crescer significasse olhar para quem somos hoje e dizer: “Você não é suficiente.”

Mas talvez exista outra possibilidade.

Talvez crescimento não seja fabricar uma pessoa nova.

Talvez seja remover, pouco a pouco, aquilo que impede de aparecer quem já está tentando nascer.

A limitação de acreditar que estamos vazios

Existe uma ideia silenciosa por trás de muitas das nossas buscas:

“Eu ainda não sou aquilo que preciso ser.”

Ela pode aparecer de várias formas.

“Preciso encontrar minha confiança.”

“Preciso encontrar meu propósito.”

“Preciso encontrar minha verdadeira paixão.”

“Preciso encontrar minha força.”

“Preciso encontrar minha abundância.”

“Preciso encontrar alguém que me faça sentir amado.”

É natural desejar essas coisas.

Mas e se algumas delas não estiverem realmente ausentes?

E se confiança for uma capacidade que cresce quando começamos a confiar em pequenos gestos?

E se propósito surgir quando prestamos atenção ao que realmente importa?

E se amor não for algo que alguém precisa colocar dentro de nós?

E se abundância também começar pela capacidade de reconhecer recursos, relações e possibilidades que já existem?

Eu me pergunto...

Quantas qualidades que procuramos fora estão apenas esperando espaço para se manifestar dentro?

As sementes não parecem árvores

Uma semente não se parece com uma árvore.

Se você segurá-la na mão, não verá galhos.

Não verá folhas.

Não verá sombra.

Não verá frutos.

Mas isso não significa que a árvore esteja ausente.

Significa apenas que a vida está em uma etapa que os nossos olhos ainda não conseguem reconhecer.

Talvez sejamos assim.

Talvez uma pessoa tímida carregue dentro de si uma voz que ainda não encontrou segurança.

Talvez alguém inseguro carregue uma capacidade profunda de coragem.

Talvez uma pessoa cansada esteja carregando uma necessidade legítima de viver de outra maneira.

Talvez alguém que se sente perdido esteja justamente começando a questionar uma vida que nunca foi realmente sua.

Talvez uma criança que faz perguntas incessantes esteja demonstrando uma inteligência que precisa de espaço, não de correção.

Isso despertou minha curiosidade...

E se parte do nosso trabalho não for colocar algo nas pessoas, mas criar condições para que aquilo que já existe possa aparecer?

O que um Guia de Caminhos realmente faz?

Como Guia de Caminhos, não quero olhar para você e dizer:

“Eu sei quem você deveria ser.”

Quero perguntar:

“O que já está aí?”

Essa diferença é importante.

Um Guia de Caminhos não entrega uma identidade pronta.

Não oferece uma fórmula para uma vida perfeita.

Não transforma o outro em projeto.

Escuta.

Observa.

Faz perguntas.

Ajuda a pessoa a perceber padrões, desejos, capacidades e possibilidades que talvez estejam escondidos sob anos de medo, adaptação ou expectativa.

Às vezes, uma pessoa não precisa de mais conselhos.

Precisa de alguém que consiga enxergar nela algo que ela mesma deixou de enxergar.

E talvez todos precisemos disso de tempos em tempos.

O que está escondido sob a superfície?

Pense em alguém que você conhece.

Talvez essa pessoa pareça difícil.

Talvez pareça distante.

Talvez esteja irritada.

Talvez tenha perdido a esperança.

Talvez esteja cometendo os mesmos erros repetidamente.

É fácil olhar para o comportamento e concluir:

“É assim que essa pessoa é.”

Mas talvez exista uma história por baixo.

Medo.

Vergonha.

Cansaço.

Solidão.

Necessidade de proteção.

Uma antiga ferida.

Uma crença que um dia foi necessária e agora se tornou pequena demais.

Isso não significa justificar comportamentos que machucam.

Significa reconhecer que comportamento não é necessariamente a totalidade de uma pessoa.

Talvez exista uma semente por baixo da defesa.

Uma capacidade de amar.

De aprender.

De reparar.

De mudar.

De escolher novamente.

E talvez isso também seja verdade para nós.

Uma prática simples para começar hoje

Hoje, escolha uma pessoa.

Pode ser alguém que você ama.

Pode ser alguém com quem trabalha.

Pode até ser alguém que costuma irritá-lo.

Em vez de perguntar:

“Qual é o problema dessa pessoa?”

Pergunte silenciosamente:

“O que pode estar tentando nascer aqui?”

Talvez seja coragem.

Talvez seja confiança.

Talvez seja descanso.

Talvez seja uma necessidade de ser ouvido.

Talvez seja responsabilidade.

Talvez seja amor.

Não tente consertar a pessoa.

Apenas observe de maneira diferente.

Depois faça a mesma pergunta a si mesmo:

“O que está tentando nascer em mim?”

Não procure uma resposta bonita.

Talvez seja uma nova forma de trabalhar.

Talvez seja um limite.

Talvez seja uma vontade antiga.

Talvez seja a capacidade de descansar.

Talvez seja coragem para dizer a verdade.

Talvez seja simplesmente a vontade de viver com um pouco mais de presença.

Eu não sei...

Talvez a resposta esteja mais perto do que imaginamos.

Crescimento pode ser menos sobre adicionar e mais sobre permitir

Às vezes pensamos que precisamos acrescentar muitas coisas à nossa vida.

Mais conhecimento.

Mais estratégias.

Mais hábitos.

Mais cursos.

Mais metas.

Mais disciplina.

E tudo isso pode ajudar.

Mas existe outra forma de crescimento.

Remover.

Remover a necessidade de agradar todo mundo.

Remover uma crença que nunca foi realmente nossa.

Remover a vergonha de precisar de ajuda.

Remover o medo de começar pequeno.

Remover a ideia de que descansar é fracassar.

Remover a obrigação de parecer forte o tempo todo.

Talvez, quando algumas camadas caem, aquilo que estava escondido não precise ser criado.

Precise apenas de espaço.

E se você já tiver dentro de si mais do que imagina?

Percebi...

Percebi que muitas pessoas procuram confiança como se fosse um objeto que alguém pudesse entregar.

Mas confiança frequentemente aparece depois de pequenas experiências de autorrespeito.

Você diz que vai descansar e descansa.

Diz não e sustenta o não.

Promete algo a si mesmo e cumpre.

Erra e não se abandona.

Tem medo e continua presente.

É assim que uma relação consigo mesmo começa a mudar.

Talvez saúde também possa envolver essa escuta.

Não controlar o corpo perfeitamente, mas aprender a ouvi-lo.

Talvez abundância envolva reconhecer o que já pode ser cultivado.

Uma habilidade.

Uma relação.

Uma oportunidade.

Um conhecimento.

Uma ideia.

Talvez liberdade comece quando percebemos que uma história antiga não precisa determinar todas as nossas escolhas futuras.

Talvez amor seja também a capacidade de enxergar potencial sem exigir que o outro se transforme para merecer nosso respeito.

E talvez significado surja quando começamos a cuidar conscientemente daquilo que consideramos valioso.

Devolver poder sem culpa

Existe uma maneira perigosa de falar sobre potencial.

“Você pode ser qualquer coisa, basta querer.”

Parece inspirador.

Mas pode se tornar cruel.

Porque nem tudo está sob nosso controle.

Circunstâncias importam.

Saúde importa.

Recursos importam.

História importa.

O apoio que recebemos importa.

As escolhas de outras pessoas importam.

Por isso, devolver poder não significa dizer:

“Você criou tudo o que aconteceu.”

Significa perguntar:

“Diante do que aconteceu, o que ainda pode ser cultivado?”

Talvez você não possa mudar o passado.

Mas pode escolher uma conversa.

Pode procurar ajuda.

Pode aprender.

Pode descansar.

Pode estabelecer um limite.

Pode tentar novamente.

Pode tratar a si mesmo com mais dignidade.

Isso é poder sem culpa.

Não é a promessa de controlar a vida.

É a descoberta de que você ainda participa dela.

Talvez seja assim que ampliamos o possível

Quando passamos a acreditar que existem sementes dentro das pessoas, mudamos nossa visão sobre o futuro.

Uma criança não é apenas sua nota.

Um adulto não é apenas seu currículo.

Uma pessoa que fracassou não é apenas seu fracasso.

Alguém que está perdido não é necessariamente alguém sem direção.

E você não é apenas a versão de si mesmo que conhece hoje.

Talvez...

Talvez exista uma conversa que você ainda não teve.

Uma habilidade que ainda não experimentou.

Uma forma de amar que ainda não conheceu.

Uma maneira de trabalhar que combine mais com você.

Uma relação mais saudável com o dinheiro.

Uma forma mais gentil de habitar seu corpo.

Uma liberdade que começa com uma escolha pequena.

Um sentido que surge de algo tão simples quanto cuidar de alguém, criar alguma coisa ou prestar atenção.

O futuro pode conter versões de você que a sua imaginação atual ainda não consegue alcançar.

Talvez você não esteja atrasado

Talvez essa seja uma das coisas mais importantes que podemos oferecer uns aos outros.

Não a promessa de que tudo será fácil.

Mas a possibilidade de que ainda exista mais.

Talvez você esteja olhando para sua vida e vendo apenas o que não aconteceu.

A promoção que não veio.

O relacionamento que terminou.

O dinheiro que ainda falta.

O corpo que mudou.

O sonho que parece distante.

Mas talvez exista outra camada.

O que você aprendeu?

O que ficou mais claro?

Que força apareceu?

Que limite nasceu?

Que desejo permaneceu?

O que você agora sabe que antes não sabia?

Eu me pergunto...

Talvez crescimento nem sempre pareça crescimento enquanto está acontecendo.

Às vezes parece confusão.

Às vezes parece espera.

Às vezes parece perda.

Às vezes parece silêncio.

Amanhã, continue olhando

Não quero terminar dizendo que você precisa descobrir seu verdadeiro eu.

Talvez “verdadeiro eu” não seja uma estátua escondida dentro de nós esperando ser revelada.

Talvez sejamos também algo vivo.

Algo que continua se tornando.

Algo que aprende.

Algo que muda.

Algo que encontra novas formas de expressão.

Eu não sei...

Mas gosto da possibilidade de que não estejamos vazios.

De que a vida não esteja esperando que nos tornemos perfeitos para começar.

Talvez algumas sementes já estejam aqui.

Na sua curiosidade.

Na sua capacidade de amar.

Naquilo que você não consegue deixar de fazer.

Na pergunta que continua voltando.

Naquilo que lhe traz paz.

Naquilo que o incomoda profundamente.

Na vontade de criar.

Na necessidade de descansar.

Na coragem que aparece apenas quando ninguém está olhando.

Talvez amanhã você encontre uma dessas sementes em um lugar completamente comum.

Enquanto prepara o café.

Enquanto conversa com alguém.

Enquanto caminha até o trabalho.

Enquanto olha pela janela.

E talvez, por um instante, perceba que aquilo que você procurava para se tornar alguém diferente estava, de alguma maneira, esperando apenas que você prestasse atenção.

Talvez...

A pergunta não seja mais:

“Quem eu preciso me tornar?”

Mas:

“O que já existe em mim que está pedindo espaço para viver?”

E eu me pergunto...

Se cada pessoa que encontramos realmente carrega sementes de algo ainda não revelado, quantas árvores estamos deixando de enxergar simplesmente porque ainda estamos olhando para a terra?

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